A arte de copiar

Por César Serra

 

Vira e mexe me vejo voltando a este assunto. A máxima de que nada se cria e tudo se copia nunca esteve tão em alta como nos últimos tempos.

Aventureiros descobriram no mercado de festas um grande celeiro para desenvolver as mais grosseiras cópias. Dos vestidos de renda chinesa aos doces, bolos e bem-casados congelados, estamos assistindo a uma tremenda queda nos mais básicos padrões de qualidade.

A coisa fica ainda mais grave quando o assunto chega a eventos para noivas, nos quais as próprias não sabem mais direito quem é quem no jogo do bicho.

São inúmeros os nomes, propostas, ofertas mirabolantes e anúncios esquisitos nas páginas das redes sociais. “Eu sou isso”, “eu curto aquilo”, “eu sou o melhor do país”.

Meu Deus, onde isso tudo vai chegar?

Estamos caminhando diariamente para assistir todos os finais de semana a decepção da pobre noiva iludida por uma propaganda enganosa e comprando gato por lebre.

 

Acredito que todos os profissionais têm o direito de divulgar e vender o seu produto. Entretanto, é uma pena que a maioria das pessoas que se propõem a criar uma vitrine para eles desconheça o mercado e a qualidade para executar um acontecimento a um público que requer uma atenção especial.

O resultado são profissionais pouco preparados vendendo o seu peixe para quem é marinheiro de primeira viagem. O assédio aos principais profissionais da cidade chega à escala do insuportável.

A luta para garantir a presença dos medalhões em eventos sem tradição beira o desespero. É lamentável a criatividade estar tão em baixa.

Copiar é a única saída que algumas pessoas com parco conhecimento no mundo das festas e pouquíssimo traquejo de vida deste mercado encontram.

Elas se aventuram, muitas vezes de maneira irresponsável, colocando em uma vitrine o que jamais teria condições de estar à venda, pois a qualidade não poderá ser perpetuada como se pede num evento como o casamento.

Acredito que o mais importante na realização de um evento, acima de tudo, é a chancela de quem assina o mesmo.

Tradição tem um peso essencial para a credibilidade de quem realiza e participa de um evento para um público tão único.

2 comentários »

  1. Marcia Marquez disse: 29 de junho de 2012 - 0:43

    Cesar voce brilhou com seu texto! Resumiu tudo em poucas palavras.

  2. Gerson Paes disse: 13 de agosto de 2012 - 12:51

    Os créditos da foto da chuva de arroz… você esqueceu.

    ALFA FOTO | Gerson Paes

    Sempre que precisar de alguma foto, pode usar… é só deixar os devidos créditos. OK?

    Abraços! Gerson Paes

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César Serra - cerimonialista Há 27 anos organiza festas, casamentos e celebra a vida