Engraçado como na minha vida, com o passar dos anos, o Natal foi mudando.
Durante muito tempo achava que era a “festa do presente”. Claro, eu era criança. Meus interesses estavam diretamente ligados aos tamanhos dos pacotes e à quantidade de vezes que meu nome aparecia sob a árvore.
A magia em si daquela noite eu não conseguia entender muito bem. Via o menino Jesus, o presépio (adorava o boi e o burro!), mas o significado ainda era uma coisa um pouco distante da minha compreensão, mesmo tendo uma mãe que sempre fez questão de todo o ritual do Natal.
Em outras épocas, já morando em Brasília, ele representava “viagem para junto da família – comida – presentes”, não necessariamente nessa ordem.
Os anos passaram e alguns Natais foram em Brasília. Nestes, certa nostalgia misturada a questionamentos das mazelas sociais do mundo e do nosso país pairavam sobre a minha cabeça, em meio à maratona de ceias que percorria numa noite (essa é a parte que cabe, graças a Deus, a quem não tem família em Brasília: ser recebido por várias como se membro delas fosse).
A mala do carro era parte do trenó do Papai Noel, depois de uma sofrida caminhada por shoppings e lojas e várias sacoladas e algumas bolsadas de finas senhoras apressadas.
Amor, carinho e gentileza
Hoje vivo o Natal de 2011! Um ano importante na minha vida, marcado por uma notória necessidade de me reinventar. Meu lado criativo não me deixa viver a rotina sem gritar muito alto dentro de mim.
E, pela primeira vez, confraternizei com amigos de maneira importante. Celebramos não os presentes, mas sim o que passamos e construímos juntos ao longo do ano.
Foram muitas confraternizações, infindáveis brindes e um delicioso “réveillon dos ansiosos”. Chegou o Natal, e com ele um César que não foi ao shopping, não fez milhares de compras e recebeu um presente único em 22 anos de Brasília: minha família, pais, irmão e sogros vindos de longe para uma noite que ainda não tem roteiro.
Decorei pela primeira vez minha casa para a grande noite da véspera, com direito a árvore, bolas, ursinhos vestidos a caráter, guirlandas e muitas luzes. Acho que finalmente me encontrei com o espírito natalino.
Neste Natal vamos distribuir algo que não nos custa nada: amor, carinho e gentileza, sem esquecer que isso sim é crescer com ser humano.
Feliz Natal e Salve 2012!


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