Íntimo e pessoal

Por César Serra

Brasília é uma cidade que adquiriu uma característica diferente das maiores capitais do país e do mundo.

Em qualquer outra capital você consegue tranquilamente fazer uma festa de casamento, quinze anos, bodas ou até mesmo um simples aniversário sem precisar convidar, como diria uma amiga minha, de Adriana a Zuleide, ou seja, ter que ir de A a Z na sua lista de pessoas “conhecidas”.

Até porque as festas da capital têm mais ou menos a mesma cara no que diz respeito aos convidados.

Pior! As pessoas adquiriram o péssimo hábito de questionar  o porquê de não terem sido convidadas ao próprio anfitrião ou mesmo ligar para solicitar um convite.

 

Personalidade

Vamos entender o seguinte: cada festa tem uma característica, uma personalidade.

Casamento: um jovem casal com uma turma de amigos que pertence ao circulo de amizade deles. Nada mais justo que a maior parte da lista seja do casal e complementada pelos pais que, por sua vez, não poderiam tomar conta de toda a lista.

Uma festa de 15 anos sem adolescentes é uma das coisas mais chatas da face da terra. Jovens em profusão e o mínimo de adultos possível é a receita para este dia ser inesquecível.

Festas íntimas estão chegando com força total e não adianta torcer o nariz para os anfitriões.

 

Detalhes

Vamos acompanhar o movimento social do Brasil e do mundo e chegar à conclusão de que as festas com centenas e milhares de pessoas estão cada vez mais raras.

A busca por maior qualidade, uma decoração mais primorosa, boa comida, boa bebida e boa música e certo capricho nos detalhes que fazem a diferença passou a ser a maior preocupação dos anfitriões.

Melhor receber 200 convidados com o que há de melhor do que convidar 1000 para servir quibe e empada (nada contra, adoro os dois… Mas em outras ocasiões.).

 

Qualidade

O Brasil vive hoje uma fase de transformação. Então por que essa nossa concepção, logo na capital do país, de que é uma desfeita deixar de ser convidado para uma festa e até procurar pessoas convidadas para intermediarem um convite?

Sabemos ainda que as grandes festas nem sempre são as melhores, pois a cada dia a mão de obra especializada está mais escassa. Bons garçons, copeiros, e por aí vai.

Não existe milagre: comparar um prato que você pede em um restaurante a uma comida produzida para mil convidados e que passa às vezes cinco horas exposta no buffet?

Bom gosto e requinte não estão em convidar uma multidão para uma festa, e sim na qualidade de tudo que foi oferecido e na feliz lembrança que os poucos – porém privilegiados – vão guardar na lembrança.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments